sexta-feira
Em busca do amor...
O meu Destino disse-me a chorar:“Pela estrada da Vida vai andando;
E, aos que vires passar, interrogando
Acerca do Amor, que hás de encontrar.”
Fui pela estrada a rir e a cantar,
As contas do meu sonho desfilando...
E noite e dia, à chuva e ao luar,
Fui sempre caminhando e perguntando...
Mesmo a um velho eu perguntei: “Velhinho,
Viste o Amor acaso em teu caminho?”
E o velho estremeceu... olhou... e riu...
Agora pela estrada, já cansados,
Voltam todos pra trás, desanimados...
E eu paro a murmurar: “Ninguém o viu!...”
(Florbela Espanca)
quinta-feira
Mesmo que...
terça-feira
Vida.......

Vida que vivi
e não desejava!
Uma vida
no tempo disfarçando,
como se tudo estivesse bem!
No silêncio
vivendo a verdade,
amarga,
muito amarga,
mas resignando
às desventuras,
pensando no sofrimento,
muito sofrimento,
de outros…
Cansado, penso que o caminho
se desviou de mim
e não tenho a quem perguntar:
para onde vou?
Sei
quantas pedras desviei,
sei
quantas lutas travei,
mas não sei,
porque o amor se esconde.
Tem vergonha de mim?
Penso que não!
Terei dado
a quem não merecia?
Talvez!
Mas não me arrependo,
porque o amor dá-se
e não se retira!
O amor reacendeu
no meu coração!
Apareceste como um Anjo
que procurava!
Fez-se Luz…
Minha Vida te sorri…
(José Manuel Brazão)
Eu....


Se alguém perguntar quem sou,
diga que sou a poetisa;
que fala do amor,
que fala do vento
e se esquece do tempo.....
quinta-feira
....da calma fez-se o vento.....

…………
De repente do riso fez-se o pranto
silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
Vinicius de Moraes
terça-feira
Fugir....

Fugir, fugir de mim e deste alagadiço cárcere
onde decapito desejos e belíssimos sentimentos
no vento incerto povoado da distância,
emudecida no clamor dum só grito,
e dos pássaros que me cantam calados por dentro,
em cenóbios, claustrofóbicos conventos.
Fugir do verbo que permanente te chama, em pranto
algoz e farto, fazendo de cada onda, ondulado,
verde planalto,
e das grades frias desta noite agoniada,
desta noite a respirar saudade nos poros do novo dia,
a cada inoportuna madrugada.
fugir,fugir,fugir,fugir.......




